Fotografia conceitual de mãos executivas alinhando peças de quebra-cabeça com representação visual de talentos e pontos fortes CliftonStrengths

O Poder das Parcerias que Ninguém Te Ensina

Se você acompanha a minha trajetória ou conhece o meu estilo de gestão ao longo desses meus mais de 38 anos de carreira executiva, sabe que eu nunca joguei sozinho. Eu nunca achei, nem por um segundo, que conseguiria entregar os resultados que entreguei, reestruturando operações complexas e liderando grandes organizações, sem ter os meus times trabalhando de forma estratégica ao meu lado.

Minha obsessão sempre foi buscar parcerias complementares. A diferença é que, durante boa parte da minha jornada, eu fazia isso por puro instinto prático de negócios. Eu só não sabia os nomes técnicos disso.

Tudo ganhou um novo significado quando me aprofundei nas pesquisas da Gallup, a maior autoridade mundial em people analytics, e li o livro “Power of 2” (A Força de Dois), escrito por Rodd Wagner e Gale Muller. Essa leitura foi uma confirmação definitiva de algo que vivenciei no chão de fábrica e nas salas de diretoria: o mito do executivo self-made man é uma mentira deslavada. Ninguém constrói uma operação sólida e sustentável isolado em uma sala de comando.

Ao longo da minha vida corporativa, vi profissionais brilhantes — técnicos impecáveis, gestores com MBAs renomados — estagnados na carreira. Eles trabalham 14 horas por dia, vivem exaustos e beiram o esgotamento porque tentam carregar o piano sozinhos. O segredo para atingir os pontos fortes na liderança executiva e a alta performance não está em se desdobrar para tentar ser perfeito em tudo, mas sim em buscar (e encontrar) as parcerias complementares.

O que a Disney e o Monte Everest Têm em Comum?

No livro Power of 2, os autores utilizam a base de dados da Gallup para demonstrar numericamente que, quando duas pessoas se conectam de forma estratégica, o resultado gerado é infinitamente maior do que a simples soma das partes. É a definição mais pura de sinergia em times de alta performance.

Eles analisam grandes duplas históricas que transformaram seus mercados:

  • Edmund Hillary e Tenzing Norgay: Os primeiros homens a conquistarem o topo do Monte Everest. A escalada exigia competências totalmente diferentes; um não teria chegado ao topo sem a resiliência e a leitura de terreno do outro.
  • Michael Eisner e Frank Wells: A lendária parceria que resgatou a Disney da estagnação nos anos 80 e a transformou em um gigante global. Eisner era o gênio visionário, criativo e expansivo; Wells era o gênio dos bastidores, da execução e da disciplina operacional.

O ponto em comum entre essas duplas? Elas não eram idênticas. Pelo contrário. Elas entendiam que a excelência não nasce da homogeneidade, mas sim da liderança complementar.

Como costumo enfatizar nos meus trabalhos de mentoria e consultoria na Zoncolan: de nada adianta gastar energia tentando consertar todas as suas fraquezas para se tornar um líder impecável. Você precisa mapear seus talentos e encontrar os parceiros certos cujos pontos fortes cubram exatamente onde você é vulnerável.

Na Prática: Dando “Nome aos Bois” com o CliftonStrengths

Para sair do campo teórico e traduzir esse conceito para o dia a dia da sua empresa, eu utilizo a metodologia CliftonStrengths — o framework de desenvolvimento de pontos fortes criado pela Gallup.

Quando usamos essa ciência na gestão de equipes e talentos, paramos de julgar o comportamento das pessoas e passamos a entender a ciência por trás da produtividade.

Parcerias de elite não acontecem por acaso. Elas exigem que ambas as partes conheçam seus próprios talentos e os talentos do parceiro — para que possam dividir responsabilidades de forma estratégica e intencional.

Vamos analisar duas dinâmicas muito comuns que você certamente já presenciou em sua equipe:

Cenário 1: O “Metralhadora de Ideias” vs. O “Pé no Chão”

Sabe aquele profissional que tem uma capacidade ímpar de iniciar novos projetos, cheio de energia e iniciativa, mas que sofre para manter a constância e finalizar o que começou? Na metodologia CliftonStrengths, dizemos que essa pessoa tem o talento da Ativação no topo do seu perfil.

Se você tentar forçar esse profissional a passar dias analisando planilhas, você pode estar pedindo algo que vai contra seus padrões naturais de ação — e isso pode drenar energia e motivação..

  • A Parceria de Sucesso: Esse profissional precisa se aliar a alguém que traga estrutura, análise de riscos e foco em processos — talentos que podem vir de perfis como Analítico, Foco, Prudência ou Disciplina. Enquanto o primeiro traz a faísca e a coragem para dar o pontapé inicial, o segundo desenha os processos, calcula as variáveis e garante que a entrega ocorra com excelência.

Cenário 2: O Visionário vs. O Trator de Execução

Um líder com o talento Estratégico elevado enxerga padrões onde a maioria vê caos. Ele antecipa movimentos de mercado, desenha cenários futuros e cria soluções inovadoras. No entanto, a visão estratégica precisa de tradução para o chão de fábrica — e é aí que muitos visionários sentem a tensão entre pensar o futuro e executar o presente.

  • A Parceria de Sucesso: Esse líder se beneficia imensamente ao se aliar a alguém que traz impulso de conclusão, foco em entregas tangíveis e energia para transformar planos em resultados mensuráveis. Esse perfil pode vir de talentos como Realização (que sente necessidade intrínseca de concluir tarefas), Foco (que mantém prioridades claras e avança sem desvios), Disciplina (que estrutura processos para garantir execução consistente) ou Responsabilidade (que assume compromissos e os honra até o fim).

Quando você tem parcerias assim, o ambiente de trabalho se transforma. Você para de cobrar do seu par ou liderado aquilo que ele não tem naturalmente, e passa a construir times onde cada um joga na sua zona de força natural. Em vez de rotular um colaborador como “lento” ou “desorganizado”, você entende: “Ele tem Prudência ou Analítico elevado; o papel dele é enxergar os riscos invisíveis que a minha pressa ou minha visão de longo prazo não captam.”

Os 3 Pilares Inegociáveis de uma Parceria de Elite

Com base nos ensinamentos do livro Power of 2 e na minha própria vivência prática gerindo operações e pessoas, nenhuma parceria de negócios sobrevive sem estes três pilares:

  1. Confiança Absoluta: Se existe vaidade, concorrência velada ou necessidade de proteção política entre dois pares, a parceria morre antes de começar. Confiança significa poder ser vulnerável, admitir o que não sabe e focar 100% no resultado do negócio.
  2. Comunicação Transparente e Sem Filtros: Parcerias de sucesso mantêm um diálogo constante e honesto. É a capacidade de discordar duramente no privado, em busca da melhor decisão técnica, e sair da sala de reunião com 100% de alinhamento público.
  3. Flexibilidade de Papéis: O mercado atual não tolera descrições de cargo engessadas. As melhores duplas dividem responsabilidades com agilidade e alternam o protagonismo de acordo com o desafio que a empresa está enfrentando.

Olhe no Espelho: Quem é a Sua Dupla no Trabalho?

Faça um exercício de reflexão sobre a sua realidade atual: você está tentando liderar como um herói solitário ou está construindo duplas complementares no seu ecossistema?

Se a sua equipe entrega abaixo do potencial, ou se você se sente sobrecarregado tentando dominar todas as frentes da gestão, a falha quase nunca é falta de empenho. O problema pode estar na arquitetura das suas parcerias.

Na Zoncolan, nós utilizamos a bagagem executiva de mais de três décadas combinada com a ciência do CliftonStrengths para ajudar líderes e organizações a mapearem esses perfis. Transformamos o que antes era intuição em uma estratégia mensurável de alta performance e complementariedade.

Se você quer parar de carregar a operação sozinho e deseja descobrir como estruturar o conceito do Power of 2 no seu time, entre em contato conosco. O seu próximo nível de resultados está diretamente ligado às parcerias que você ainda não formou.

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